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Biblioteca Escolar Dr. António Ferraz

"Ler engrandece a alma!" [Voltaire]

Biblioteca Escolar Dr. António Ferraz

"Ler engrandece a alma!" [Voltaire]

18.Mai.11

Chá de Livros



Hoje encerramos o ciclo de uma actividade, entre as demais, que muito prazer nos deu, não só à equipa da BE ,mas também a todos quantos nela participaram, directa ou indirectamente: O chá de livros.
Entre professores e alunos, foi dita poesia, desta vez da autoria dos Professores Jorge Salgueiro (Escola Sec/3 de Barcelinhos) e Francisco Limpo Queiroz (Escola Sec. Diogo de Gouveia de Beja).
Ao longo de dois anos, às quartas-feiras, a biblioteca foi um lugar onde a poesia foi a anfitriã. Este desafio foi lançado, pela equipa da BE, a toda a comunidade educativa, apelando à criação de poemas originais sobre as temáticas "chá, livros, leitura, aromas, poesia". Foram muitos os que aceitaram este repto. Professores, Alunos, Encarregados de Educação e Funcionários contribuíram com os seus textos.
A qualidade dos trabalhos justificava a sua divulgação. Surgiu, então, a ideia de ilustrar os poemas. Foi proposto à Escola Secundária Alcaides de Faria a colaboração da turma de Artes da ESAF que, sob a orientação do Prof. Durão, concretizou o projecto de ilustração. Brevemente, na Feira do Livro de Barcelos, a biblioteca irá lançar a compilação de todos os trabalhos numa publicação intitulada Antologia Poética do Chá.

CHÁ DE LIVROS

Chá de livros, numa escola de Barcelos.

Cidreira de Lídia Jorge, hipericão

de Lobo Antunes. Ler pelos cotovelos,

o chá de letras que os livros são.

Herberto Hélder, «Os Passos em Volta»

Saramago, «Memorial do Convento»,

«Guerra e Paz» de Tolstói e a revolta

da escrita contra a voz no vento.

Chá de livros não é o audiovisual,

é a retenção fundamental

da essência da palavra: o pensamento.

Bebe-se devagar, frase por frase,

e com o olhar, até chegar à fase

da plena captação do argumento.

Francisco Limpo Queiroz (Professor de Filosofia da Escola Secundária Diogo de Gouveia – Beja)


China

Cinco mil anos

Imperador Sheng Nong

Lenda, mito, ficção

Monges budistas dos Himalaias

Educando a criança Camellia Sinensis

Lapidam os multi e cosmopolitas aromas

Como um diamante puro e bruto

As naus portuguesas do Século XV

Interpeladas pelo Adamastor

Logram a amálgama de sabores infinitos e indecifráveis

Ervinha, planta, arbusto, copa colossal

Infusão de mesclas de vontades legadas

Étimo redondo, roliço, esticado, aplanado…

Com chapéu de coco, hortelã e alecrim

Em terras asiáticas e índias

“Five o’clock”

Amadrinhado pela princesa lusa

Catarina de Bragança

Emoldurando-o com taças de jasmim

Em cortes reais britânicas de gestos seculares

Este elixir sinestésico de emoções e sensações

Trago doce, agreste, sublime a laranja e a tabaco

Chávena de palavras, rimas, odes, poesias

Chávena de páginas, ensaios, livros, viagens, fantasias

Sorvidas ao longo da garganta

Ao ritmo erótico do chá-chá-chá e do “ménage à trois

A olfactar a camomila romã

Da Roma dos Imperadores

De bacanais e festins de prazer…

Jorge Salgueiro (Prof. da Escola Sec/3 de Barcelinhos)

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