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Beaf - Biblioteca Escolar António Ferraz

"Ler engrandece a alma!" [Voltaire]

Beaf - Biblioteca Escolar António Ferraz

"Ler engrandece a alma!" [Voltaire]

"Amizade", história criada nas Histórias Cosidas 2018/2019.

Leituras cosidas2.JPG

https://issuu.com/antoniofernandes4/docs/amizade.docx/a/115342

Era uma vez um jovem chamado Carlos Ribeiro. Estudava numa Universidade, mas tirava más notas; dormia nas aulas, pois deitava-se tarde devido ao seu vício nos jogos online.

Na Universidade nenhum professor ligava ao facto de Carlos dormir nas aulas, exceto o seu professor de História. Chamava-se Pedro Veloso; era um homem alto e bem constituído. Tinha quarenta e cinco anos, era casado e tinha uma filha.

Como não era a primeira vez que o Carlos dormia nas suas aulas de História, o professor Pedro pediu para que não saísse da sala quando tocasse, pois queria falar com ele. E assim foi. Quando tocou, o Carlos continuou sentado na sua mesa, à espera que o professor fosse à sua beira. Depois de todos os colegas saírem, o professor foi ter com o Carlos e perguntou:

- Eu vou ser direto. Por que motivo dormes nas aulas?

- Mas, … desculpe. Eu nunca mais adormeço nas aulas!

- Eu não te disse para me pedires desculpa – exclamou o professor. – Perguntei por que dormes nas aulas!

- Pronto, eu conto a verdade. Adormeço nas aulas, porque passo a noite toda a jogar online. Já tentei parar de jogar, mas não consigo! Ajude-me professor, porque já não sei o que fazer!

- Quando é que começaste a ficar viciado nos jogos online? – interrogou o professor, preocupado.

- Eu já jogava há muito tempo, mas quando comecei a ficar a noite toda acordado foi no primeiro período.

- Então, estando nós já no segundo período, tu tens passado todas as noites a jogar no computador?

- Sim.

- Mas, a tua visão está boa? Como passas tanto tempo no computador!

- Eu acho que está tudo bem! – concluiu o Carlos.

- Vou falar com os teus pais e levo-te a um médico para tentar tirar-te desse vício, mas não te esqueças que a força de vontade para acabar com isto vem de ti. Também te vou ajudar a estudar para o teste de História, pois está próximo.

- Está bem! – respondeu o Carlos, feliz por ter a grande ajuda do professor.

E assim foi. O professor Pedro falou com os pais do Carlos e marcaram uma consulta na psicóloga. O Carlos começou a sair mais tarde da Universidade, pois o professor estava a ajudá-lo a estudar.

Passados alguns dias, o Carlos foi à consulta e quando voltou à Universidade, foi ter com o professor e exclamou:

- Obrigado, professor, por tudo o que tem feito por mim! Eu sei que, para já, só tive uma consulta na psicóloga, mas foi muito agradável. Também gostaria de agradecer a ajuda a estudar para o teste de História.

- De nada, e não te esqueças que amanhã é o teste, por isso revê a matéria e vais ver que tiras boa nota.

- Obrigado por tudo. Não sei como lhe posso agradecer.

- Vai para casa, estuda um bocadinho e depois descansas.

- Até amanhã!

- Até amanhã.

No dia seguinte o Carlos foi para a Universidade muito nervoso. Quando recebeu o teste, o professor Pedro sussurrou-lhe ao ouvido:

- Tem calma, vais ver que vai correr tudo bem.

Ao ouvir estas palavras, o Carlos tentou acalmar-se. Durante a realização do teste, o Carlos começou a ver mal e, do nada, ficou cego. Como ficou sem ver nada, começou a pedir ajuda, aos berros.

Ao princípio pensaram que o Carlos estava a brincar. Como ele continuava a gritar e muito nervoso, chamaram uma ambulância.

O professor Pedro acompanhou o Carlos até ao hospital, tentando acalmá-lo.

Quando estava no hospital, depois de ser visto por vários médicos, foi dito ao Carlos que nunca mais voltaria a ver. O Carlos começou a chorar desesperadamente e, apesar de o professor Pedro o tentar acalmar, decidiram deixá-lo sozinho para se tentar acostumar à nova fase da sua vida.

A partir desse dia, o Carlos nunca mais voltou à Universidade e teria de se inscrever numa escola para cegos, para reaprender a ler e a escrever.

Estava em casa há já algum tempo, muito triste e a tentar esquecer a nova vida que teria pela frente.

Como o professor Pedro não teve muitas notícias do Carlos, decidiu ir ter com ele. Quando chegou à sua casa, o professor perguntou ao Carlos:

- Olá. Como é que te sentes?

- Mal. Eu ainda não acredito que fiquei cego. Para mim, isto é um pesadelo do qual ainda não acordei.

- Mas tens que ter pensamentos positivos e continuar com a tua vida.

- Só que eu não consigo encarar tudo o que me está a acontecer. – disse o Carlos, a chorar. – Já estou farto!

- Tens de continuar a lutar e tudo vai correr bem. Não desistas! Tens toda a tua família a apoiar-te.

- As pessoas tratam-me como se eu precisasse de ajuda, mas eu não quero. Parece que sou um bebé que precisa que façam tudo por ele.

- Tu não és um bebé, mas és um jovem que acabou de ficar cego. Por agora precisas da ajuda de todos, mas quando te habituares, já não precisarás.

- Queria tanto que tudo acabasse agora. – disse tristemente o Carlos.

O professor abraçou o Carlos. Como já era tarde, o professor teve de ir embora. Ao partir disse:

- Agora tenho que ir embora, mas amanhã quero saber como estás e também quero saber se já te inscreveste na tua nova escola para cegos.

- Adeus, professor. Amanhã ligo-lhe para dizer como estou.

E, de seguida, o professor foi-se embora.

Passados alguns dias, o Carlos ia para a sua nova escola e o professor Pedro perguntou-lhe:

- Estás entusiasmado?

- Sim, mas também estou muito nervoso!

- Vais ver que vai correr tudo bem.

- Espero bem que sim.

Algum tempo depois, Carlos e o professor continuavam muito amigos. Quando o Carlos precisava de ajuda, o professor era o primeiro a oferecer-se para o ajudar.

Agora que o Carlos estava habituado à sua deficiência, ele era muito feliz e nunca desistia de concretizar os seus sonhos.