Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Beaf - Biblioteca Escolar António Ferraz

"Ler engrandece a alma!" [Voltaire]

Beaf - Biblioteca Escolar António Ferraz

"Ler engrandece a alma!" [Voltaire]

Diários de Escrita, por aluna do 12º Ano


Todos nós temos alguém que sempre fará parte da nossa vida, parte daquilo que somos, parte da nossa história. A minha mãe é essa pessoa, independentemente de todas as pessoas que já fazem e daquelas que ainda podem vir a fazer parte da dela. Ela será sempre a estrela que me guia, o meu porto de abrigo. Sei que ao lado dela sempre terei lugar, sem quês nem porquês, sem ter que me justificar, ou dizer alguma coisa, o silêncio é também muito amigo de ambas.A minha mãe é uma mulher com um “M” bem grande e muito, muito forte, como ela. Decidida, de postura firme, senhora da sua razão, opinião inalterável. Amiga, carinhosa, preocupada, meiga, sentimentalista. O seu coração é mole, meigo e muito protetor, é mesmo coração de mãe. Eu herdei quase tudo dela, sou assim como ela e é por isso que nos compreendemos bem.Desde pequenina que me lembro dela sempre a trabalhar muito, sempre com a vontade conseguir fazer tudo e ser 100% mãe. Tudo correu bem em toda a minha infância mas, por volta dos meus 12 anos algo mudou. Isso não significa que a minha mãe se tornasse diferente, apenas encontrou um obstáculo na vida dela.Já há muito tempo que as dores se faziam sentir, mas talvez um pouco de stress, misturado com nervos acumulados e um estado quase de depressão fez agravar ainda mais a situação e confirmou-se um tumor que se tinha instalado no seu peito esquerdo. A descoberta foi difícil e demorada, o que aumentou ainda mais o seu sofrimento. Biópsias atrás de biópsias (- Eram sempre só quistos!). E o que acontecia é que chegavam só aos quistos que rodeavam o tumor, nunca dando resultados concretos.A minha mãe tem cancro na mama? Mas afinal o que era isso? Eu já tinha 12 anos, percebia já algumas coisas, mas era uma situação nova, não sabia como lidar, se devia perguntar alguma coisa ou não. Fechei-me no meu quarto e chorei, chorei muito. O meu pai veio logo atrás de mim, abraçou-me e disse-me que tudo havia de ficar bem.A partir do momento em que soubemos, toda a família se uniu ainda mais, todos batalhamos, pelo bem-estar, pela saúde e pela felicidade da minha mãe, todos entramos de “peito” naquela luta.O caminho foi longo, doloroso e cheio de surpresas. Desde os tratamentos de quimioterapia, aos efeitos secundários, à operação e depois ainda a radioterapia.Mais difícil ainda foi o processo de recuperação, a aceitação de um corpo diferente, de uma mudança na vida. É difícil aceitar a mastectomização não só da mama mas também da alma, é difícil aceitar que se continua a ser mulher. As feridas profundas na perceção da feminilidade demoram muito, diria mesmo demasiado tempo, a cicatrizar.Hoje, passados quase 5 anos, sei que a minha mãe já aceitou a nova realidade do seu corpo, já fez as pazes com o espelho.Durante todo o caminho que teve que percorrer, ela teve o nosso apoio, todos nós tivemos com ela na batalha contra o cancro e eu acredito que a sua recuperação foi mais rápido por isso, porque nunca a deixamos sozinha.Com toda esta situação, a minha relação com ela ficou ainda mais fortalecida, amo-a mais que nunca, é minha amiga mais do que alguma tinha sido, é minha confidente, é tudo, é MÃE.Sei que se um dia eu passar pelo mesmo que ela passou, ela estará sempre do meu lado, física e psicologicamente, nunca me abandonará, será sempre uma fonte de força e energia, um exemplo a seguir.Há coisas que nos acontecem que nos levam a dar ainda mais valor à vida e àqueles que nos rodeiam, e isto fez-me crescer muito...parte do que sou hoje e do que serei amanhâ, está e estará sempre relacionado com isto.Amo e entrego-me ainda mais às coisas, e à minha mãe entrego-me na totalidade. Ela será sempre o amor da minha vida.

Diários de Escrita, por aluna do 12º Ano


Todos nós temos alguém que sempre fará parte da nossa vida, parte daquilo que somos, parte da nossa história. A minha mãe é essa pessoa, independentemente de todas as pessoas que já fazem e daquelas que ainda podem vir a fazer parte da dela. Ela será sempre a estrela que me guia, o meu porto de abrigo. Sei que ao lado dela sempre terei lugar, sem quês nem porquês, sem ter que me justificar, ou dizer alguma coisa, o silêncio é também muito amigo de ambas.A minha mãe é uma mulher com um “M” bem grande e muito, muito forte, como ela. Decidida, de postura firme, senhora da sua razão, opinião inalterável. Amiga, carinhosa, preocupada, meiga, sentimentalista. O seu coração é mole, meigo e muito protetor, é mesmo coração de mãe. Eu herdei quase tudo dela, sou assim como ela e é por isso que nos compreendemos bem.Desde pequenina que me lembro dela sempre a trabalhar muito, sempre com a vontade conseguir fazer tudo e ser 100% mãe. Tudo correu bem em toda a minha infância mas, por volta dos meus 12 anos algo mudou. Isso não significa que a minha mãe se tornasse diferente, apenas encontrou um obstáculo na vida dela.Já há muito tempo que as dores se faziam sentir, mas talvez um pouco de stress, misturado com nervos acumulados e um estado quase de depressão fez agravar ainda mais a situação e confirmou-se um tumor que se tinha instalado no seu peito esquerdo. A descoberta foi difícil e demorada, o que aumentou ainda mais o seu sofrimento. Biópsias atrás de biópsias (- Eram sempre só quistos!). E o que acontecia é que chegavam só aos quistos que rodeavam o tumor, nunca dando resultados concretos.A minha mãe tem cancro na mama? Mas afinal o que era isso? Eu já tinha 12 anos, percebia já algumas coisas, mas era uma situação nova, não sabia como lidar, se devia perguntar alguma coisa ou não. Fechei-me no meu quarto e chorei, chorei muito. O meu pai veio logo atrás de mim, abraçou-me e disse-me que tudo havia de ficar bem.A partir do momento em que soubemos, toda a família se uniu ainda mais, todos batalhamos, pelo bem-estar, pela saúde e pela felicidade da minha mãe, todos entramos de “peito” naquela luta.O caminho foi longo, doloroso e cheio de surpresas. Desde os tratamentos de quimioterapia, aos efeitos secundários, à operação e depois ainda a radioterapia.Mais difícil ainda foi o processo de recuperação, a aceitação de um corpo diferente, de uma mudança na vida. É difícil aceitar a mastectomização não só da mama mas também da alma, é difícil aceitar que se continua a ser mulher. As feridas profundas na perceção da feminilidade demoram muito, diria mesmo demasiado tempo, a cicatrizar.Hoje, passados quase 5 anos, sei que a minha mãe já aceitou a nova realidade do seu corpo, já fez as pazes com o espelho.Durante todo o caminho que teve que percorrer, ela teve o nosso apoio, todos nós tivemos com ela na batalha contra o cancro e eu acredito que a sua recuperação foi mais rápido por isso, porque nunca a deixamos sozinha.Com toda esta situação, a minha relação com ela ficou ainda mais fortalecida, amo-a mais que nunca, é minha amiga mais do que alguma tinha sido, é minha confidente, é tudo, é MÃE.Sei que se um dia eu passar pelo mesmo que ela passou, ela estará sempre do meu lado, física e psicologicamente, nunca me abandonará, será sempre uma fonte de força e energia, um exemplo a seguir.Há coisas que nos acontecem que nos levam a dar ainda mais valor à vida e àqueles que nos rodeiam, e isto fez-me crescer muito...parte do que sou hoje e do que serei amanhâ, está e estará sempre relacionado com isto.Amo e entrego-me ainda mais às coisas, e à minha mãe entrego-me na totalidade. Ela será sempre o amor da minha vida.