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Biblioteca Escolar Dr. António Ferraz

"Ler engrandece a alma!" [Voltaire]

Biblioteca Escolar Dr. António Ferraz

"Ler engrandece a alma!" [Voltaire]

23.Mar.12

O que é a poesia?


Poesia não é sentimento, é linguagem. Não é experiência vivida, éexperiência de linguagem. Ela não se faz com sentimentos, nem também comideias, mas com palavras, apenas com palavras. Tudo o que a poesia dá a sentir,tudo o que ela dá a pensar, forma-se nas palavras da poesia e não é sensível nempensável fora delas. A poesia é criação, e criação com palavras, mas a criaçãopoética consiste em dar forma num dizer a qualquer coisa que excede todo odizer, em fazer ver num dizer o que, no ser, não é dizível. A experiênciapoética da linguagem é pois experiência de superação da linguagem através daprópria linguagem, experiência de auto-superação da linguagem. A poesia exploraas potencialidades da linguagem, ou de uma língua, mas para a levar a um limiteem que o seu poder coincide com a sua impotência. A poesia, a linguagem propriamentepoética, tece-se nesse limite, nesse ponto de coincidência do poder e daimpotência de dizer, o que equivale a afirmar que não há poesia sem um combatecom a linguagem que é um combate desta consigo mesma, uma violentação das suaspossibilidades. Não há poesia sem uma violência feita à linguagem, a criaçãopoética é essa violência que força a linguagem, ou a língua-mãe do poeta, aabrir-se para um indizível, para um Fora dela, mas um fora que só existe, ou quesó é acessível, a partir de dentro, da linguagem mesma, e como o seu limite.Dito de outro modo, a poesia consiste em inventar na língua uma nova língua,uma heterolíngua poética, que faça a língua atingir o seu limite, que ponhatoda a língua «fora de si», em transe, suspensa sobre um além ou um aquém dela,sobre um silêncio povoado de visões ou sensações que é todavia um silêncio daprópria linguagem, um silêncio só possível na e pela linguagem. A poesia faz-seno «meio» ou na matéria de uma língua, com as palavras de uma língua, mas porela desviadas da sua significação referencial, das propriedades sintáticas dalíngua, da função comunicativa (a poesia não comunica, nada tem a comunicar,nenhum dado, ela é descomunicação, «voz do silêncio» como dizia Malraux de todaa expressão artística). Ela faz-se com as palavras práticas da linguagemquotidiana, mas para as recombinar segundo outras regras e assim constituir,por desvio criativo, uma «outra» língua, uma língua de imagens, uma estranhalíngua pictural. Para criar com elas, com o seu jogo combinatório alógico em«sintaxes de exceção-", com as suas surpreendentes aproximações eafastamentos decorrentes desse jogo, as suas consonâncias e dissonânciasrítmicas e semânticas, sentidos que não são já significações mas visões, «vidências»na aceção rimbaldiana, efeitos extra-linguísticas: uma transcendência luminosadas palavras, palavras alucinadas, palavras-luz. Ou seja. A poesia violenta a linguagem,as suas funções, a sua organização, para a tornar apta para um silêncio sóaudível porém através da linguagem, para a fazer dizer o silêncio, para atransformar, no limite, em silêncio. Na bela formulação de Ruy Belo, poeta équem «encontrou ou procurou na linguagem um contorno para o silêncio que há novento, no mar, nos campos».
 Sousa Dias, O que é a poesia
22.Mar.12

O que é a Poesia

Perguntamos a J.T.R.

 O que é a Poesia?
Ela respondeu.

poesia.


Não me perguntes o que é a poesia: eu não sei nomear o que me vem do lado de dentro.
 Se tudo na vida é poesia, pergunta-me antes o que na vida não é.
Há em mim um amor pela cadência musical dos afectos, que é poesia.
Há em mim um amor pela angústia metafísica das coisas, que é poesia.
 E um desamor por tudo o que não lateja
não vibra
não emociona
não rompe
não quebra
não cai.
A poesia e a ausência dela:
 medidas exactas do meu amor e desamor pelas coisas.
Prenúncios precisos da minha crença nas horasque ficaram por vir.
 Poesia minha que me devolve em cor os dias baços
 E me serena mais
 Que uma religião qualquer.
 Seria preciso que me fosses
 Estranha,
 Externa,
Estéril,
Para conseguir enunciar-te.
 Mas tu és o verso mais universal
 Do meu universo
E vens-me de dentro
Como um suspiro.
 E eu só sei reconhecer-te
 Quando me faltas.
J.T.R.
(ex-aluna da E. S. Barcelinhos)
20.Mar.12

Dia Mundial da Poesia

A nossa escola preparou, para o dia 21 de março, um programa especial com várias atividades onde a comunidade escolar é convidada a participar.

O objetivo da iniciativa é tentar despertar a comunidade escolar para a excelência da poesia que está fora das preferências de consumo e que tem dificuldade em conquistar o seu espaço.

Comemorem connosco o DIA MUNDIAL DA POESIA e juntos vamos dar as boas vindas à primavera e aclamar a chegada das andorinhas.





20.Mar.12

Vencedores do Concurso "Faça Lá um Poema" 2012


O Júri do Concurso divulgou, a 16 de Março de 2012, a lista de todos os vencedores do Concurso, "Faça lá Um Poema". Os prémios serão entregues no dia 21 de março, no CCB.

A nossa escola participou com poemas nos níveis de 3º ciclo e secundário.

1º lugar, 3º ciclo
Estou aqui eu a escrever,
Com receio de algum erro cometer,
Estou aqui eu a inventar,
Com receio de poder falhar.

Não tenho medo do que os outros possam dizer,
Relativamente ao que eu possa escrever,
Acham que isto não é poema?
Pois isto é o meu lema.

Posso não ser poeta, nem um grande compositor,
Mas escrevo o que sei, sem nenhum favor,
E eu aqui, estou a improvisar.

O improviso é uma coisa que vem do coração,
E que quiser que dê a sua opinião,
Venham lá criticar que estou a ouvir,
Com os críticos a opinar, até me vou rir,
Porque este poema foi feito para me divertir.

João Romão Pedrosa Ferreira 8ºA nº14

1º lugar, secundário
Hoje sentei-me no banco do jardim
onde nós, por feito do destino nos conhecemos,
onde nos sentávamos a impor palavras,
onde víamos o sol nascer com o cantar dos pássaros
e pôr-se atrás do mar que se silenciava.
Mas hoje tudo isto me pareceu estranho.
O sol nasceu e os pássaros emudeceram
e, quando se pôs, as ondas do mar rebentaram.
Faltava-me completar o dia com as tuas palavras.
Todavia, tu não estavas lá empiricamente.
O teu perfume não o levava o vento,
nem a tua voz se sobrepunha aos passos na calçada.
Hoje, tu não existias naquele jardim.
Ninguém deu pela tua falta na rua
porque nunca contaram as flores dos canteiros.
Mas eu contei e hoje faltava a mais formosa.
Desapareceu o aroma do fado da praça
cantado pela singular voz de um adolescente,
que entre as notas da guitarra portuguesa dizia:
Chorem os céus comtanto brilhar,
Hoje morreu aesperança com aquele luar.

Pedro Manuel Simões Fernandes nº 20. 11º A


Parabéns aos nossos alunos concorrentes e aos vencedores desta fase final do concurso.

06.Mar.12

Conto-te na BE - JI do Centro Social de Barcelinhos

As professoras de Biologia, Susana Sá e Emília Poças, acompanhadas por cinco alunas do 10º ano do curso Animador Sociocultural, fizeram as delícias dos meninos e meninas do JI de Barcelinhos em mais um "Conto-te na BE". Foram várias as histórias contadas mas, o total entusiasmo deu-se quando as crianças realizaram experiências e observaram, à lupa binocular, rochas, plantas e animais. Por momentos estes meninos sentiram-se verdadeiros cientistas.

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