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Beaf - Biblioteca Escolar António Ferraz

"Ler engrandece a alma!" [Voltaire]

Beaf - Biblioteca Escolar António Ferraz

"Ler engrandece a alma!" [Voltaire]

Chá de Livros


Hora do Chá
Caminhou altiva, elegante, com o passo acertado pelo som dos saltos que batiam no chão frio de madeira.
Toc-toc-toc. Calmamente e como quem não tem pressa, puxou uma cadeira e sentou-se à mesa onde já estavam colocados um bule, um chávena e um prato com biscoitos. Lentamente, derramou poesia quente na chávena, ping-ping-ping, e observou o fumo de palavras que dançavam em sua volta. Depois, abriu um livro e começou a ler, gota a gota, enquanto esperava que a chávena arrefecesse. Uma madeixa loira desprendeu-se do laço vermelho que lhe prendia os cabelos e foi acariciar-lhe o rosto, macio e de traços firmes. Cinco linhas e algumas gotas depois, pousou o livro e sorveu rapidamente alguns goles de poesia da chávena ainda quente. Paulatinamente, retirou uma palavra do prato que repousava no centro da mesa e sentiu-lhe o sabor doce e amanteigado. Ron-ron-ron- E assim passou os minutos seguintes, entre goles de poesia, dentadas de palavras e algumas gotas que davam as mãos nas páginas do livro… Sentia o paladar do sons que a rodeavam e a musicalidade dos sabores que entravam dentro de si numa explosão de sensações. Por fim, olhou o relógio, que se desenhava no seu pulso firme e que marcava cinco minutos depois das cinco. Desejou que os ponteiros se deixassem guiar pelo fumo de poesia que emanava do bule e que voltassem atrás, quinze minutos antes quando havia entrado naquela sala para a hora do chá. Levantou-se calmamente, tal e qual como havia chegado e não teceu qualquer tipo de reclamação contra o tempo. A Hora do Chá terminara.
Ana Andrade

Chá de Livros


Hora do Chá
Caminhou altiva, elegante, com o passo acertado pelo som dos saltos que batiam no chão frio de madeira.
Toc-toc-toc. Calmamente e como quem não tem pressa, puxou uma cadeira e sentou-se à mesa onde já estavam colocados um bule, um chávena e um prato com biscoitos. Lentamente, derramou poesia quente na chávena, ping-ping-ping, e observou o fumo de palavras que dançavam em sua volta. Depois, abriu um livro e começou a ler, gota a gota, enquanto esperava que a chávena arrefecesse. Uma madeixa loira desprendeu-se do laço vermelho que lhe prendia os cabelos e foi acariciar-lhe o rosto, macio e de traços firmes. Cinco linhas e algumas gotas depois, pousou o livro e sorveu rapidamente alguns goles de poesia da chávena ainda quente. Paulatinamente, retirou uma palavra do prato que repousava no centro da mesa e sentiu-lhe o sabor doce e amanteigado. Ron-ron-ron- E assim passou os minutos seguintes, entre goles de poesia, dentadas de palavras e algumas gotas que davam as mãos nas páginas do livro… Sentia o paladar do sons que a rodeavam e a musicalidade dos sabores que entravam dentro de si numa explosão de sensações. Por fim, olhou o relógio, que se desenhava no seu pulso firme e que marcava cinco minutos depois das cinco. Desejou que os ponteiros se deixassem guiar pelo fumo de poesia que emanava do bule e que voltassem atrás, quinze minutos antes quando havia entrado naquela sala para a hora do chá. Levantou-se calmamente, tal e qual como havia chegado e não teceu qualquer tipo de reclamação contra o tempo. A Hora do Chá terminara.
Ana Andrade