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Beaf - Biblioteca Escolar António Ferraz

"Ler engrandece a alma!" [Voltaire]

Beaf - Biblioteca Escolar António Ferraz

"Ler engrandece a alma!" [Voltaire]

"Chá de Livros"

Chá de Livros
Quarta 2
5/11/08

Taça de Chá
«O luar desmaiava mais ainda uma máscara caída nas esteiras bordadas. E os bambus ao vento e os crisântemos nos jardins e as garças no tanque, gemiam com ele a adivinharem-lhe o fim. Em roda tombavam-se adormecidos os ídolos coloridos e os dragões alados. E a gueixa, porcelana transparente como a casca de um ovo da Íbis, enrodilhou-se num labirinto que nem os dragões dos deuses em dias de lágrimas. E os seus olhos rasgados, pérolas de Nanguim a desmaiar-se em água, confundiam-se cintilantes no luzidio das porcelanas.
Ele, num gesto último, fechou-lhe os lábios co'as pontas dos dedos, e disse a finar-se: — Chorar não é remédio; só te peço que não me atraiçoes enquanto o meu corpo for quente. Deixou a cabeça nas esteiras e ficou. E Ela, num grito de garça, ergueu alto os braços a pedir o Céu para Ele, e a saltitar foi pelos jardins a sacudir as mãos, que todos os que passavam olharam para Ela.
Pela manhã vinham os vizinhos em bicos dos pés espreitar por entre os bambus, e todos viram acocorada a gueixa abanando o morto com um leque de marfim.
A estampa do pires é igual.»
(Almada Negreiros)

Chá de Livros

Chá de Livros
Quarta 2
5/11/08

Taça de Chá
«O luar desmaiava mais ainda uma máscara caída nas esteiras bordadas. E os bambus ao vento e os crisântemos nos jardins e as garças no tanque, gemiam com ele a adivinharem-lhe o fim. Em roda tombavam-se adormecidos os ídolos coloridos e os dragões alados. E a gueixa, porcelana transparente como a casca de um ovo da Íbis, enrodilhou-se num labirinto que nem os dragões dos deuses em dias de lágrimas. E os seus olhos rasgados, pérolas de Nanguim a desmaiar-se em água, confundiam-se cintilantes no luzidio das porcelanas.
Ele, num gesto último, fechou-lhe os lábios co'as pontas dos dedos, e disse a finar-se: — Chorar não é remédio; só te peço que não me atraiçoes enquanto o meu corpo for quente. Deixou a cabeça nas esteiras e ficou. E Ela, num grito de garça, ergueu alto os braços a pedir o Céu para Ele, e a saltitar foi pelos jardins a sacudir as mãos, que todos os que passavam olharam para Ela.
Pela manhã vinham os vizinhos em bicos dos pés espreitar por entre os bambus, e todos viram acocorada a gueixa abanando o morto com um leque de marfim.
A estampa do pires é igual.»
(Almada Negreiros)

"Chá de Livros": todas as quartas na BE

Chá de Livros
Quarta 1
29/10/08
«Preparo um chá de poesia,
e saboreio-o lentamente, como ele deve de ser saboreado.
Afinal eu tenho sempre a chaleira dos poemas ao lume e bolachas com pinguinhas de versos prontas para servir a quem as quiser degustar, assim como eu o faço.
Sôfrego engulo pétalas de rosas e planto-as de volta
no jardim de onde saíram e para onde, triunfais, agora regressam.»
(Nuno Rita)

Chá de Livros

Chá de Livros
Quarta 1
29/10/08
«Preparo um chá de poesia,
e saboreio-o lentamente, como ele deve de ser saboreado.
Afinal eu tenho sempre a chaleira dos poemas ao lume e bolachas com pinguinhas de versos prontas para servir a quem as quiser degustar, assim como eu o faço.
Sôfrego engulo pétalas de rosas e planto-as de volta
no jardim de onde saíram e para onde, triunfais, agora regressam.»
(Nuno Rita)